• Redação

A postura de Biden sobre o petróleo russo arrisca um conflito mais amplo


O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, proibiu nesta terça-feira (8), as importações russas de petróleo e gás para os Estados Unidos em retaliação à ofensiva militar da Rússia na Ucrânia, injetando mais incerteza sobre como o conflito e a crise de energia serão resolvidos.



Os parceiros europeus dos EUA seguiram com sua própria pressão. O Reino Unido disse que eliminaria gradualmente as importações de petróleo e derivados russos até 2022, enquanto a União Europeia disse que reduziria as importações de gás russo para Europa em 66% por cento até o final do ano.



A Rússia desempenha um papel fundamental no fornecimento global de energia e a desestabilização pode enviar ondas de choque pela economia global – que já está sofrendo com a escassez de oferta, gargalos e pressões de preços causadas pela pandemia de coronavírus.]



Os EUA importaram uma média de 209.000 barris por dia (bpd) de petróleo bruto e 500.000 bdp de outros produtos petrolíferos da Rússia em 2021, segundo a American Fuel and Petrochemical Manufacturers.



Apenas um por cento das exportações de petróleo da Rússia foi para o mercado dos EUA em 2020, de acordo com a Administração de Informações sobre Energia dos EUA. Para os EUA, esse volume representa 8% de seu consumo total de petróleo. Mas analistas alertam que isso pode ter consequências mais profundas.



“Isso é principalmente uma postura dos EUA”, disse Jim Krane, pesquisador de energia da Rice University em Houston, Texas, “Mas corre o risco de um conflito mais amplo nos mercados de petróleo e preços mais altos do petróleo para os consumidores americanos.”



Na terça-feira, após os comentários de Biden, o petróleo Brent de referência global subiu 7,35%, para US$ 132,27 o barril, enquanto o US West Texas Intermediate subiu 7,26%, para US$ 128,07.



“A Rússia poderia retaliar reduzindo ainda mais as exportações ou cortando as exportações para aliados dos EUA”, disse Krane.


A indústria de petróleo e gás da Rússia foi omitida nas sansões iniciais que o Ocidente impôs a Moscou, com o objetivo de prejudicar os setores financeiro e de tecnologia da Rússia e pressionar uma mudança nas políticas do presidente russo, Vladimir Putin.



As gigantes do petróleo British Petroleum e Shell haviam dito na semana passada que estavam retirando negócios da Rússia. A Shell deu um passo adiante na terça-feira, anunciando que deixaria de comprar petróleo russo.



Enquanto as hostilidades na Ucrânia continuam em meio a três rodadas de negociações malsucedidas e o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy pede mais ações do Ocidente, analistas alertam que punir a Rússia pode ter um impacto econômico de longo prazo no resto do mundo.



Fonte: Aljazeera


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