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Cientista desenvolve método para eliminar vírus do abacaxizeiro


O abacaxi é uma das frutas mais produzidas e consumidas no Brasil. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), entre os anos de 2012 a 2018 foram produzidos mais de 11,9 bilhões do fruto.




Como um dos maiores produtores de abacaxi do mundo, o país lida com algumas doenças e, entre elas, uma virose causada pelo complexo viral PMWaV (Pineapple Mealybug Wilt-associated Virus) , responsável pela murcha do abacaxizeiro, que pode causar a morte da planta ou comprometer muito a frutificação.




Para resolver esse problema, a bióloga Fernanda Vidigal, da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb) e do CNPq, elaborou uma estratégia que usa crioterapia, uma forma de tratamento com temperaturas para eliminar esse tipo de vírus.



O método se baseou em uma pesquisa anterior, realizada pela Embrapa em parceria com o National Center for Genetic Resource and Preservation (NCGRP – ARS/USDA) em Fort Collins nos EUA, sobre criopreservação do abacaxizeiro, que conserva material vegetal a partir de imersão em nitrogênio líquido na temperatura negativa de -196°C.




A crioterapia usa esse processo de congelamento para eliminar o vírus dos tecidos vegetais e regenerar uma planta sadia. “O que veio primeiro foi o método de criopreservação. A partir desse estudo, observamos que poderíamos ter uma maneira de eliminar o vírus da murcha, que é uma doença importante em nível mundial”, explica Fernanda.


A crioterapia se mostrou uma técnica mais eficiente, segundo a pesquisadora, já que o procedimento de termoterapia, que submete a planta a temperaturas mais elevadas não tem dado resultados satisfatórios para a eliminação deste vírus no abacaxizeiro. “Nós fizemos testes com altas temperaturas sem bons resultados, enquanto o congelamento do material trouxe números muito favoráveis.





O nível de eficiência é cerca de 90%, então, o que é uma porcentagem interessante. É importante dizer que existe uma gama de variedades e elas podem responder de forma diferente à metodologia. De forma geral, a crioterapia vem se mostrando positiva para diferentes variedades de abacaxi”, afirma.



Os resultados do projeto, que teve o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e do curso de pós-graduação de Recursos Genéticos Vegetais da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), já podem ser utilizados por Institutos de pesquisa ou Biofábricas.




Para isso, é preciso uma infraestrutura mínima de um laboratório de cultura de tecidos. “O laboratório precisa ter uma câmara de fluxo, uma câmara de crescimento e um lugar para acomodar os botijões de nitrogênio líquido. Não é um ambiente tão complexo, mas também não é uma estrutura caseira”, destaca Fernanda.



A cientista afirma que o procedimento pode ser aplicado para gerar matrizes sadias e a partir delas produzir mudas sadias. Para ela, o método é um avanço para quem produz o abacaxizeiro, pois uma muda de qualidade é a melhor forma de se iniciar um cultivo e impactar na produção.




“Apesar da tecnologia demandar o treinamento de quem vai realizar o procedimento, pode ser aplicada por uma biofábrica, que a partir da matriz sadia, após a eliminação do vírus, reproduz em larga escala. Através dessa metodologia é possível gerar abacaxizeiros sadios e, a partir disso, ter frutos saudáveis e vigorosos”, diz.

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