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Cientistas reconhecem a transmissão por via aérea do Coronavírus


O título da carta: É Hora de Abordar a Transmissão Aérea de Covid-19 é de autoria da Morawska, que dirige o Laboratório Internacional de Qualidade do Ar e Saúde (referência para a OMS) da Universidade de Tecnologia de Queensland (na Austrália).


Agora, 239 especialistas publicam uma carta aberta às autoridades sanitárias afirmando que “existem evidências mais que suficientes para que se aplique o princípio da precaução. Para controlar a pandemia, à espera de uma vacina, devem-se interromper todas as vias de transmissão”.


Há meses, no entanto, especialistas em infecção por via aérea pedem que a OMS reconheça que os vírus também ficam suspensos em partículas microscópicas e acabam sendo respirados por alguém próximo após alguns minutos.


A carta, que será publicada na revista Clinical Infectious Diseases (Doenças Infecciosas Clínicas), destaca alguns casos em que essa via de contágio parece clara. Por exemplo, o restaurante chinês onde cinco pessoas de mesas próximas acabaram infectadas pelo paciente zero. Nesse caso notório, os cientistas puderam observar, graças às câmeras do local, que não houve nenhuma interação entre os contagiados e o paciente zero. A via de infecção teve que ser as gotículas em suspensão que circularam entre eles durante a hora que compartilharam naquele ponto do estabelecimento. Os fatores determinantes foram a ventilação nula da sala e o ar em recirculação, provocando a exposição dos clientes aos agentes infecciosos.


E esse é o ponto central da carta: as condições nos espaços fechados são decisivas e devem ser consideradas. Os especialistas não estão descobrindo uma via principal ou inesperada; apenas somam as evidências de diversos cenários para advertir que, sobretudo em espaços fechados, não basta apenas a distância física.


Há situações em que ocorre contágio por aerossóis, essas pequenas partículas que podem permanecer suspensas e infectar alguém. Às recomendações gerais deve-se somar a da ventilação de espaços fechados e, se possível, deslocar os eventos para áreas externas, onde os contágios são infinitamente menores porque o vento dilui as partículas.


Os autores da carta se mostram preocupados porque as pessoas podem pensar que estão completamente protegidas ao aderir às atuais recomendações da OMS, quando na verdade são necessárias intervenções adicionais no ar para reduzir o risco de infecção, como aconselham os fabricantes de ar condicionado.

Um porta-voz da OMS declarou “Conhecemos o artigo e estamos revisando seu conteúdo com nossos especialistas técnicos”. “Afirmamos várias vezes que consideramos que a transmissão aérea é possível, mas certamente não está respaldada por evidências sólidas e claras”, reconheceu Benedetta Allegranzi, líder técnica de prevenção e controle de infecções da OMS, ao The New York Times.

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