• Redação

Putin diz à Ucrânia parar de lutar enquanto protestos anti-guerra crescem no mundo




Os combates persistentes bloquearam os esforços para evacuar 200.000 pessoas da cidade ucraniana sitiada de Mariupol pelo segundo dia consecutivo neste domingo (6), enquanto o presidente russo, Vladimir Putin, prometeu prosseguir com sua ofensiva, que ele disse que iria planejar, a menos que Kiev se rendesse.



A maioria das pessoas presas na cidade portuária está dormindo no subsolo para escapar de mais de seis dias de bombardeios quase constantes cercando as forças russas que cortaram alimentos, água, energia e aquecimento, segundo as autoridades ucranianas.



O número de civis mortos nas hostilidades em toda a Ucrânia desde que Moscou lançou sua invasão em 24 de fevereiro chegou a 364, incluindo mais de 20 crianças, disse a ONU no domingo, acrescentando que centenas de outros ficaram feridos.



O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos disse que a maioria das vítimas civis foi causada pelo uso de "armas explosivas com uma ampla área de impacto, incluindo artilharia pesada e sistemas de foguetes de lançamento múltiplo, mísseis e ataques aéreos".



Em Irpin, uma cidade a cerca de 25 quilômetros a noroeste da capital Kiev, homens, mulheres e crianças que tentavam escapar dos intensos combates na área foram forçados a se abrigar quando mísseis atingiram as proximidades, segundo testemunhas da Reuters.

Soldados e moradores ajudaram os idosos a se apressarem para um ônibus cheio de pessoas assustadas, algumas encolhidas enquanto esperavam para serem levadas para um local seguro.



A invasão atraiu condenação quase universal em todo o mundo, fez mais de 1,5 milhão de ucranianos fugirem do país e desencadeou amplas sanções ocidentais contra a Rússia com o objetivo de prejudicar sua economia. O governo Biden disse no domingo que está explorando a proibição das importações de petróleo russo.



"A guerra é uma loucura, por favor, pare", disse o Papa Francisco em seu discurso semanal às multidões na Praça de São Pedro, acrescentando que "rios de sangue e lágrimas" estavam fluindo na guerra da Ucrânia.



Putin fez sua exigência para que Kiev acabe com os combates em um telefonema com o presidente turco Tayyip Erdogan, que apelou por um cessar-fogo. Putin disse a Erdogan que está pronto para o diálogo com a Ucrânia e parceiros estrangeiros, mas qualquer tentativa de prolongar a negociação fracassaria, disse um comunicado do Kremlin.



A mídia russa disse que Putin também falou por telefone por quase duas horas com o presidente francês Emmanuel Macron. Macron disse a Putin que estava preocupado com um possível ataque iminente à histórica cidade portuária de Odessa, no sul da Ucrânia, disse o gabinete de Macron.



Protestos contra a guerra ocorreram em todo o mundo, inclusive na própria Rússia, onde a polícia deteve mais de 4.300 pessoas, disse um grupo independente de monitoramento de protestos. O Ministério do Interior disse que 3.500 manifestantes foram detidos, incluindo 1.700 pessoas em Moscou e 750 em São Petersburgo.



Milhares de manifestantes gritavam "Não à guerra!" e "Shame on you!", segundo vídeos postados nas redes sociais por ativistas e blogueiros da oposição. A Reuters não conseguiu verificar de forma independente as imagens e fotografias.



Manifestações também estavam ocorrendo nas capitais ocidentais, bem como na Índia e no Cazaquistão, depois que o crítico do Kremlin, Alexei Navalny, convocou protestos mundiais contra a guerra.



Na cidade sitiada de Mariupol, as autoridades disseram no domingo que fariam uma segunda tentativa de evacuar alguns dos 400.000 moradores. Mas o plano de cessar-fogo fracassou, como aconteceu no sábado, com cada lado culpando o outro.



O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que a tentativa fracassada de evacuar 200.000 pessoas ressaltou "a ausência de um acordo detalhado e funcional entre as partes em conflito".



"Eles estão nos destruindo", disse o prefeito de Mariupol, Vadym Boychenko, à Reuters em uma videochamada, descrevendo a situação da cidade antes do fracasso do último esforço de evacuação. "Eles nem nos dão a oportunidade de contar os feridos e mortos porque o bombardeio não para.



Fonte: Reuters

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