Tecnologia excessiva na pandemia pode ser um risco à saúde



Pesquisa aponta aumento no uso de celulares e computadores; conteúdos inadequados e horas conectadas podem atrapalhar sono, causar doenças psicológicas e diminuir atenção


O abuso da tecnologia sempre foi considerado um problema. Com a pandemia de Covid-19, tais transtornos têm tendência a aumentar ainda mais. A dificuldade em sair de casa, tornou as telas de computadores, celulares e televisão a principal fonte de entretenimento e válvula de escape para lidar com as adversidades do momento. Porém, até que ponto esse hábito pode se tornar um novo risco para a maioria da população?


Uma pesquisa realizada pelo Instituto Delete mostra que mais de 50% das pessoas entrevistadas instalaram novos aplicativos durante a pandemia. Enquanto isso, o levantamento aponta que 43,8% aderiu ao hábito de realizar compras online e 51,2% percebeu alguma alteração emocional com o aumento do uso dos aparelhos eletrônicos.

De acordo com Ana Paula Ribeiro, psicóloga e especialista em neuropsicologia, quando utilizada de forma equilibrada e para finalidades corretas, a tecnologia só tem a acrescentar pontos positivos na vida da população. “Em um momento tão difícil, estar conectado é a melhor forma de continuar próximo de quem ama, buscar informação adequada sobre o que a sociedade está passando e também é uma ferramenta excelente para continuar tendo apoio emocional de qualidade e profissional, além de ser uma fonte de entretenimento que ajuda em várias questões psicológicas”, destaca.


No entanto, o risco começa quando esses objetos começam a representar uma dependência ao ser utilizado da forma incorreta e extremamente excessiva. “Os pontos negativos e positivos estão em linha muito tênue. Da mesma forma que os objetos tecnológicos podem trazer informação de qualidade, é necessário ficar atento às notícias falsas e tomar cuidado com a quantidade de informação que recebe. Principalmente com o estresse e a ansiedade nas alturas, ficar a todo momento vendo notícias preocupantes, pode agravar ainda mais tais situações”, alerta.


Além disso, a dependência do celular e outras tecnologias também causa problemas relacionados ao sono e atenção. “A luz das telas pode influenciar seu cérebro a ficar ligado a todo momento, dificultando os momentos de descanso. Enquanto isso, a necessidade de ficar muito perto dos aparelhos e o excesso de informação atrapalha no foco e, em muitos casos, o indivíduo pode desenvolver dificuldade de cognição e não conseguir se concentrar em momentos importantes, como em reuniões do trabalho ou aulas, por exemplo”, afirma.


Como evitar a dependência em tecnologia?


Ana Paula orienta que a melhor forma de se cuidar e evitar transtornos, principalmente nesse momento difícil da pandemia, é equilibrando o uso da tecnologia com outras atividades. “Tire um tempo para meditar, dormir a quantidade de horas que seu organismo precisa, ler um livro físico, se exercitar nos espaços disponíveis em casa e outros. Se possível, converse com quem está dividindo o isolamento social com você, troquem experiências, desabafem ou use apenas o telefone ao invés de vídeo chamadas a todo momento”, indica.


Fonte: Ana Paula Ribeiro Imbuzeiro, psicóloga, especialista em neuropsicologia, neurofeedback.

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