• Redação

Canteiro da Orla de Salvador poderá ser espaço para os camarotes do Carnaval



Com as desculpas de que os moradores da Barra não aguentam mais o inconveniente e transtornos causados pelo circuito carnavalesco Dodô, o prefeito de Salvador Bruno Reis, em menos de uma semana aprovou um decreto de desapropriação de partes do canteiro central da orla de Salvador, compreendido entre o bairro do Imbui a Patamares, justamente no cogitado trecho do mais novo circuito do carnaval de Salvador.



Não é a primeira vez que os interesses particulares de determinados grupos da sociedade sejam colocados em primeiro plano, acima de toda a população soteropolitana. Não faz muito tempo que um decreto municipal modificou a Lei de Ordenamento do Solo e autorizou a verticalização da Orla de Salvador, sendo construído centenas de prédios e até hoje, com milhares de apartamentos ainda desocupados.



A mudança do circuito do carnaval, da orla da Barra, é apenas um pretexto para os verdadeiros interesses que estão em jogo. Se os moradores da Barra estivessem realmente preocupados com a paz e em manter o seu bairro livre de milhares de foliões do momo, teriam impedido desde a década de 90, quando Daniela Mercury desfilou pela primeira vez e instalou seu luxuoso camarote prestigiado por autoridades, artistas e jornalistas.



Desapropriação irregular



A fundamentação utilizada pela Prefeitura de Salvador para a desapropriação é incoerente, pois estipula que o objeto do decreto é para abertura, conservação e melhoramento das vias, entretanto conforme as imagens aéreas publicadas não será utilizado o canteiro central por inteiro, mas sim porções de áreas estreitas que não trazem nenhuma melhoria para as vias e consequente nenhuma utilidade pública e interesse social, como exemplo corredores viários ou duplicação das pistas.





As porções de terra demarcadas configuram espaços que posteriormente podem ser aproveitados com intuito de exploração e comercialização e pelos últimos anúncios do Prefeito demonstram ser espaços de montagens de camarotes privados para o mais novo circuito de carnaval.



Sem que houvesse qualquer tipo de apresentação de um projeto para requalificação da orla de Salvador, muito menos a discussão em sessão legislativa pelos vereadores, o certo é que esse projeto foi empalado sem nenhum pedido formal para a população.



O Ministério Público do Estado da Bahia deve se manifestar sobre esse situação, já que demonstra-se de fato a ausência de utilidade pública, ficando evidente que os políticos sempre estarão de mãos dadas com os seletos grupos da sociedade que colaboram durante as campanhas eleitorais e no final quem paga as contas desse financiamento privado é o povo.



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