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Ennio Morricone morre aos 91 anos

Autor de trilhas sonoras marcantes do cinema, como as de ‘Três homens em conflito’, ‘A missão’ e ‘Cinema Paradiso’, era considerado um dos melhores da história no seu ofício.



Na madrugada desta segunda-feira (6), o compositor italiano Ennio Morricone morreu aos 91 anos. Acabava de receber o Prêmio Princesa de Astúrias, pouco depois de anunciar sua retirada dos palcos. Mesmo após sofrer um acidente doméstico, continuava trabalhando em sua casa.


Autor das trilhas dos filmes de Quentin Tarantino como: Bastardos inglórios, Django livre e Os oito odiados.


Morricone não compunha trilhas sonoras, e sim música para cinema. Possui uma função complementar a cada filme e pode justificar a obra como um todo, mas de maneira independente.


A trilha sonora do século XX na Itália ficou escrita para sempre quando ele recebeu a encomenda para compor a música de Novecento, a epopeia de Bernardo Bertolucci sobre as duas Itálias. Mas Ennio Morricone, sem se propor a isso, já tinha construído naquela época o retrato sonoro de uma paisagem cinematográfica ao qual o mundo pôde regressar milhares de vezes, mesmo depois que o filme terminava e as luzes da sala se acendiam.

Outra trilha que marcou foi na Tabernas (sul da Espanha) onde Sergio Leone rodou Três homens em conflito (1966) e Por um punhado de dólares (1964). Ou à vertigem do carrinho de bebê subindo pesadamente as escadarias da estação central de Nova York antes do tiroteio final de Os intocáveis (1987). Também através da monumental epopeia sobre a Itália do século XX que Bertolucci rodou com Novecento, um enorme retrato de um país sempre partido em dois, entre o sul e o norte, também entre os violentos rescaldos do fascismo e o vigor comunista mais vibrante da Europa Ocidental. Ou a celebrada trilha sonora de Cinema Paradiso, filme que agora reestreia nos cinemas espanhóis.


Desenvolveu logo no início uma técnica muito depurada para evitar discussões ou debates estéreis sobre suas partituras: mandava sua obra justamente quando o filme estava acabando de ser produzido. “Às vezes apenas um mês antes da estreia. O diretor não tinha nem sequer a opção de rejeitá-la. Com os anos, a técnica deixou de ser necessária, porque alguns diretores, como Sergio Leone, chegaram a rodar filmes como Por um punhado de dólares a partir da música já escrita.


Morricone ganhou seu primeiro Oscar há três anos, pela música de Os oito odiados, de Quentin Tarantino. Em 2007, tinha recebido o prêmio honorário da Academia de Cinema.

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