• Redação

Intolerância e politicagem na cidade de Todos os Santos



A cidade de Salvador há quem diga que é a capital com maior números de templos religiosos do Brasil. Quem chega a Salvador acaba ouvindo que existe 365 igrejas, uma para cada dia do ano, entretanto irá se espantar em saber que para cada igreja da religião católica, haja outros 10 templos protestantes e outras centenas de terreiros de candomblé e umbanda, além de dezenas de centros espíritas espalhados pelos quatros cantos da cidade, sem contar outras denominações religiosas.



É neste cenário de fé conturbado que não parece nem de longe uma Jerusalém, a historia nos conta que sempre que os políticos oportunistas estiverem envolvidos, boa coisa não é, principalmente se desejam aproveitar de rebanho de fiéis desgarrados para lançar suas palavras de trapaça com objetivo de troca de votos, iniciando em uma guerra santa.



Em meio a essa "Meca" de religiosidade, o sincretismo e a intolerância se misturam virando tudo em uma grande festa popular nos locais de adoração para inglês vê.



O monte em questão é um pequeno trecho das dunas do Abaeté, as margens da Avenida Dorival Caymmi, em Itapuã, lugar frequentado por evangélicos que realizam seus louvores e vigílias em noite de luar, enquanto os adeptos do candomblé e da umbanda fazem suas oferendas durante o dia para seus caboclos e orixás.



Um local de adoração que até pouco tempo vivia em paz, graças a seus frequentadores assíduos que mesmo diante de antagonismo espiritual se mantinha em harmonia. Todavia, a paz nesse momento deixa de existir quando políticos picaretas que não estão preocupados com a fé ou devoção colocam os seus interesses em jogo.



Com a desculpa de fazer uma intervenção para construção de um espaço religioso e esportivo ao mesmo tempo, no trecho das dunas, sem nenhum atrativo cultural ou turístico para cidade de Salvador. A verdade é que os interesses pessoais geram apenas um conflito entre as religiões e transformando em mais uma obra faraônica.



Irresignado os membros do candomblé e da umbanda estão em pé de guerra com a retirada do seu espaço de devoção, o que antes podiam frequentar, agora será retirado o seu direito de ir e vim, graças a politicagem do toma lá, dá cá.



A ideia do projeto de lei (PL) saiu da cabeça de um néscio que se aproveita de minoria em troca de votos. Na PL nº 411/2021, o novo espaço custará R$ 5 milhões e deve se chamar "Monte Santo Deus Proverá" e no final esse orçamento deve dobrar, em outras palavras, "se piquem os adeptos das matrizes africanas e se estabeleçam os evangélicos".



Agora fiquem atentos com a ira do mundo espiritual que não perdoa, pode ser que um vento passe para cobrar dos responsáveis as discórdias religiosas. E como diz uma sábia sacerdote, "fio, fio, não mexa com quem tá quieto, porque vosmecê pode acabar perdendo o que mais gosta". E não demorou muito para que um ebó feito pegasse primeiro o burgomestre desestruturando sua relação familiar.



Salvador é assim, pode ser até a terra de Todos os Santos, mas para os políticos baianos não importa se durante o dia acenda uma vela para Deus e a noite outra para o diabo, o que vale é garantir os votos, seja ela qual for a religião.






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