• Redação

Mea-culpa: exoneração de secretário de segurança não é a solução da violência


Os baianos ficaram surpresos com a notícia da suposta exoneração do Secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP/BA), o juiz aposentado Ricardo Mandarino, que circulou nas redes sociais neste sábado (2). A informação foi propagada em diversos grupos de WhatsApp e dada como certa a demissão do secretário pelo governador Rui Costa nos próximos dias.



A insatisfação e os motivos para demissão de Mandarino seriam sua inércia e os altos índices de violência em todo estado, além das suas declarações ao se posicionar como um pacifista e defensor da liberação das drogas, durante entrevista. As declarações do secretário foi considerado um ato de paz e amor aos usuários de drogas e acabou servindo de munição para imprensa e oposição.



A escolha de um juiz pacifista para secretário de segurança seria indicação do próprio governador e do seu partido, como já se sabe o governo baiano petista é uma colcha de retalhos e cada cacique político e partido tem seu pedaço nas secretarias. Além de Mandarino estaria também outras indicações como do comando da PM.



O governador se considera um técnico de futebol, ele mesmo prefere escolher seu time e sua estratégia é para o ataque, pedindo para que os jogadores (policiais) vá para cima do adversário (bandidos) e com todas as forças para brocar a rede com muitos gols (balas), então por que não fez?



Segundo o presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc), Eustácio Lopes, a mudança do secretário nesse momento não irá resolver o problema que se arrasta há 16 anos, "a polícia civil da Bahia está sucateada, existem mais de 100 delegacias no interior que não tem policiais para atender a população, os índices de violência na Bahia aumentou mais de 7% enquanto em outros estados houve uma diminuição nos casos de homicídios".



Para Lopes o que falta é um modelo de gestão e autonomia da polícia civil, que há muito tempo vem deixando de cumprir seu papel de investigar, milhares de casos de homicídios não foram elucidados por falta de investigações, "precisamos sim, uma renovação total da SSP, a sociedade é vítima da violência como também os policiais, por causa da omissão dos gestores que não apuram, por exemplo, os casos de assédio moral e sexual na instituição".



A guerra travada estre as facções criminosas rivais e a polícia baiana parece não ter fim, nos últimos meses assistimos por diversas vezes traficantes invadirem casas de pessoas inocentes e fazerem reféns transmitindo ao vivo na internet, tendo que a polícia negociar por horas. Ao mesmo tempo diversos homicídios e torturas foram registrados por celulares nos tribunais do crime e compartilhados nas redes sociais, mostrando que suas leis são mais eficazes do que o judiciário. A verdade das ruas de Salvador é a prova da total falta de compromisso das autoridades e políticos da Bahia.



Desde 2020, já foram registrados milhares de assassinatos, chegando a um total de 1.558 homicídios, uma taxa de 54% para cada 100 habitantes e já se sabe que até o início do segundo semestre de 2021, em relação a 2020, houve um aumento de mais 7% no número de homicídios em Salvador e na Bahia, garantindo por dois anos consecutivos o estado campeão de violência no Brasil.


Nesse momento, culpar Mandarino por todos os males que acontecem na Bahia é querer tampar o sol com a peneira, o governador deve sim assumir sua mea-culpa e deixar de ouvir os aspones, se for para exonerar o secretário que exonere, mas não esqueça também de exonerar toda a cúpula da SSP, inclusive os aposentados.


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