• Redação

Paris: Mochilando com Marconi Lins


Por Marconi Lins



A pobre menina rica Paris, cidade destacada por sua arquitetura entalhada em belas ruas sob prédios seculares e largas avenidas que parecem não ter fim. Basilar da igualdade e fraternidade, um museu a céu aberto com monumentos que perpetuam como referência na cidade dos casais apaixonados em cenários de romances literários ou no cinema nouvelle vague. Terra de pensadores intelectuais, socialistas, filósofos, berço da revolução francesa, a liberdade de expressão em forma de país, esta é Paris.



Para qualquer mochileiro desavisado que chegar por uma grande companhia aérea o Aeroporto Charles de Gualle provavelmente será o local do seu desembarque. Duas opções mais em conta para chegar ao centro da cidade: por um ônibus, tipo executivo ou pelo metrô. Se você chega por Orly, onde atualmente desembarcam a maioria dos voos da empresa brasileira Azul, existem diversos meios de transporte para chegar até o centro e recomendo o VLT que além de ser super-rápido, nos deixa em linhas importantes com conexão da cidade para o seu destino final.




Um portal ao subterrâneo para um sucateado trem com portas de saída manual vai te fazer imergir para outra cidade, uma “parri” que não está retratada em nenhum cartão postal. Andar no metropolitano não apenas te dará uma visão de diferente realidade do local, como também o lançará em contato maior com os transeuntes e a rotina das pessoas. O sistema de metrô da capital da França é dos mais antigos e parece que não recebe nenhuma reforma há décadas, contudo nem por isso nossa viagem deixa de ser menos prazerosa muito pelo contrário, o ambiente é cercado por pessoas de todos os tipos e nacionalidade: muçulmanos, descendentes africanos, gente do leste europeu, ciganos trovadores e até alguns legítimos franceses de sangue azul, vermelho e branco.




Preste atenção nos músicos das estações tocando com excelência música clássica, mas não desgrude o olho da sua carteira de dinheiro. Os batedores de carteiras aqui estão aos montes como os ratos que habitam este ambiente subterrâneo, são os mais rápidos de toda a Europa, capazes de furtar sua carteira com a sutileza de um mágico ilusionista – destros larápios te oferecem gentil ajuda para lhe roubar logo em seguida. Por isso mesmo compre seus tickets de metrô nas cabines autorizadas, esteja atento e não aceito ajuda gratuita de estranhos que ninguém irá lhe passar a perna.




Outra forma de se chegar pela cidade via bus para quem vem da Europa, de Londres pelo Canal da Mancha, ou de Amsterdam para bus station em Gallieni. Nesta estação é possível embarcar paras os países mais distantes com 12 até 16 horas de viagem para o Leste Europeu com a empresa rodoviária Eurolines. Para os mais abastados a melhor opção via terrestre ainda é o trem na estação ferroviária em Gare Du Nord que fica localizada no coração de Paris, onde também é possível comprar tickets para conhecer os principais países e cidades do continente europeu.





Trocar uma noite numa cama de hostel por uma viajando de ônibus te faz economizar grana com a diária, e cá para nós, o dia é sempre a melhor opção para se conhecer pontos turísticos ou belezas naturais de qualquer lugar. O fato foi que cheguei às quatro horas da manhã na estação rodoviária em Bercy, num inverno tenebroso carregando uma mala de rodinha de minha companheira, além da minha própria mochila de 17 kg nas costas, ainda era necessário caminhar aos fundos desta estação até o metrô que me levaria para Santier. Eu tinha as coordenadas da rua para encontrar o meu hotel, acontece que no fim da madruga depois de uma noite em claro dentro do ônibus e com um celular que dependia de wi-fi para se localizar, achar um logradouro com bagagens pesadas a tiracolo numa temperatura de 2 graus foi um drama. Uma experiência cansativa e gelada me encontrar durante madruga sem nenhuma alma viva nas ruas sequer para eu pedir informação.


O meu objetivo era ao menos deixar as malas no hotel, a diária de fato começaria a partir das 14hr, e sem peso para eu carregar poderia procurar algo pra comer e matar um tempo até o horário do checkin. Para todo viajante que gosta de conhecer lugares além dos roteiros tradicionais, naturalmente se desenvolve um tipo de intuição - pode perecer papo exotérico, no entanto em alguns momentos você só conta com ela para solucionar seus pequenos problemas durante uma viagem.



Fui andando em direção a uma loja da McDonald’s na esperança de poder sentar, respirar e até beber qualquer coisa quente para aquecer os pulmões, para minha tristeza estava fechada pois ainda era muito cedo. Caminhando 900 metros adiante dali um beco com comércios de frutas e padaria aberto para funcionários parecia uma luz do túnel. Segui em frente e não era miragem quando conferi o nome da rua que procurávamos Rue Leopold Belan com a Rue de Montorgueil. Encontrar o Zora Hotel foi algo incrível, ter ido para a direção correta e não ter andando em círculos na noite escura. Por isso que apesar de termos a disposição celular com GPS e outros dispositivos tecnológicos, devemos deixar o sentimento nos levar em certas ocasiões. Para nossa sorte o cara do hotel foi gente boa e como o quarto não estava ocupado, ele liberou de imediato nossa entrada no aposento. Caímos na cama exaustos e felizes agradecendo ao acaso a sorte que nos reservou.

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