• Redação

Perita Técnica vítima de assédio sexual nas dependências do DPT sofre perseguição



O Departamento de Polícia Técnica, considerada a "casa da ciência", presume ser um local seguro por se tratar de uma dependência da Secretária de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), porém nenhuma pessoa suspeitaria que essa casa foi cenário para o cometimento de assédio sexual, local esse responsável por solucionar diversos crimes, em especial, crimes hediondos contra mulheres.



Infelizmente, predadores sexuais estão em todos os lugares, inclusive lotados nas unidades policiais da Bahia.



Quatro meses se passaram após uma perita técnica ter sido molestada por um motorista, no dormitório da unidade do Departamento de Polícia Técnica (DPT), do município de Brumado, a 540 km de Salvador. O assédio sexual aconteceu em 29 de dezembro de 2021, a perita técnica Lays Macedo estava no alojamento sozinha, durante seu descanso foi surpreendida pela investida do motorista Deusvaldo dos Santos Ribeiro, que também é lotado do DPT, lambendo e chupando a dobra do seu braço quando assistia um filme no seu notebook.



A vítima procurou o coordenador do DPT, perito criminal José de Moura Ferreira, para relatar o ocorrido acreditando que ele tomaria as providências cabíveis, pelo contrário, ouviu do perito criminal a pergunta "se ela sentiria melhor com a demissão de um pai de família"?



Percebendo que o molestador ficaria impune, Lays encorajada por outras colegas procurou a delegacia da cidade para registrar o Boletim de ocorrência de nº 7420/2022, que tornou inquérito policial de nº 549/2022.



De vítima a perseguida



Após a denúncia por parte da perita técnica, o delegado que preside o inquérito policiai encaminhou dois ofícios informando a Corregedoria do DPT e Corregedoria da Polícia Civil ambas em Salvador, para tomarem providência sobre o caso, até agora nada foi feito contra o acusado de molestar a perita técnica e nem o perito criminal que se omitiu diante do fato.



E se não bastasse a vítima ter que continuar convivendo com o trauma e o mesmo coordenador que nada fez contra o tarado do motorista que se diz ser casado e pai de família, o mesmo já foi visto por diversas vezes dirigindo o carro do coordenador, pasmem!



Para piorar o emocional da vítima, o coordenador encaminhou um oficio à corregedoria do DPT com o título de "denúncia caluniosa" com o intuito que fosse aberto um PAD (Processo Administrativo Disciplinar) contra a denunciante por ter comunicado a violência sofrida.



Casos de violência sexual e assédio moral contra investigadoras, peritas e escrivães na Polícia Civil da Bahia vem crescendo nos últimos anos e esse não será o último. Essas notícias não são novidades para a Corregedoria da Polícia Civil, já que são dezenas ou melhor dizendo centenas de casos de assédio sexual e moral que não são apurados ao rigor da lei. As vítimas são tratadas como verdadeiras culpadas e ainda tem que conviver com a omissão dessa gente, que protegem seus pares predadores e ainda perseguem quem tem a coragem de denuncia-lo.

Veja Mais

Veja Mais