• Redação

Polícia privada na Bahia: o preço a se pagar



O site Rx Notícias inicia uma nova série especial de reportagens "Polícia privada na Bahia, o preço a se pagar". Na primeira reportagem iremos mostrar a realidade do Grupo Especial de Repressão a Roubos a Coletivo (GERRC) da Polícia Civil da Bahia (PCBA).



Todos os dias, passageiros que utilizam o Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus de Salvador, enfrentam uma realidade assustadora, o medo de ser mais uma vítima de assalto nos ônibus que circulam em Salvador e Região Metropolitana (RMS).



Diariamente, passageiros são roubados dentro dos coletivos que circulam na capital baiana, um fato que já se tornou comum entre os usuários do sistema de transporte coletivo. Embora, exista a delegacia do GERRC para registrar as ocorrências dos roubos a coletivo, encontra-se sem nenhuma estrutura e o pior com falta de policiais investigando e prendendo os autores dessa atividade criminosa, que vêm acontecendo a muito tempo.



Em primeiro lugar é preciso conhecer a causa do problema e seus efeitos, a violência em Salvador sempre esteve ligada a três fatores: desemprego, pobreza e a política. Um problema que parece não ter fim. Será preciso então voltar no tempo e saber porque o GERRC existe. Com os altos índices de assaltos aos coletivos em Salvador e Região Metropolitana (RMS), devido ao volume de dinheiro em poder dos cobradores nos coletivos que era razoavelmente compensador para os ladrões de ônibus, causou um grande prejuízo diário aos donos das empresas.



Nos anos 90, os donos de empresas recorreram a tudo para coibir os assaltos, cofres de ferro do lado dos cobradores e até a contratação de ex-policiais armados dentro do coletivo para abater os saqueadores. Todas as semanas os jornais soteropolitanos estampavam as fotos de ladrões mortos a tiros e a manchete "passageiro reage assalto e mata ladrão no Buzú".


Pensando nos seus apoiadores eleitorais foi criado o GERRC sem qualquer estrutura. Mas quem deseja segurança tem que pagar por ela, os donos das empresas arcaram com o repasse dos benefícios que incluíam (diárias, carros, combustível, café da manhã, almoço, lanches e jantar) para acabar com os roubos nos coletivos.



Mais tudo que um dia é bom acaba, com a implantação dos cartões de acesso eletrônicos substituindo o valor em espécie circulante nas mãos do cobradores, os ladrões de coletivo passaram visar os passageiros e o seu maior bem, os celulares. Desde então as principais vítimas são os trabalhadores que precisam do transporte coletivo.



Sem o aporte dos donos das empresas de ônibus, a unidade policial da base do GERRC vem sendo desmantelada, falta estrutura mínima para o trabalho. De 48 investigadores de polícia (IPC), restaram hoje em dia apenas 12 IPC que se revezam em quatro equipes de três policiais para investigar e fazer o trabalho ostensivo em Salvador e RMS.



Segundo um investigador que não quis se identificar, trabalhar no GERRC é insalubre, sem contar com o assédio moral e o abuso de poder que os policiais vêm sofrendo por falta de condições de trabalho, "estamos trabalhando aqui sem condições, poucos policiais para atender um grande número de vítimas que são roubadas diariamente pelos bandidos".



O caso do GERRC não é um caso isolado, outros grupos já foram criados para atender o clientelismo de empresários, um bom exemplo foi o Grupo Especializado de Repressão a Roubos na Petrobras (Gerpetro) que tinha a finalidade de combater os roubos de materiais nas unidades da Petrobras, as ocorrências sempre eram registradas na 20ª Delegacia Territorial de Candeias e na delegacia de São Sebastião do Passé, como de costume a infraestrutura era por conta da interessada.



O fato é que vivemos na capital mais violenta do Brasil e a maioria dos cidadãos que utilizam o transporte coletivo são as principais vítimas. Pagamentos de impostos não é sinônimo e muito menos garantia que seus direitos constitucionais como segurança pública seja respeitado. Na Bahia já está institucionalizado, quem deseja segurança da polícia que pague por ela.

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