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Polícia privada na Bahia: policiais são usados para proteger bancos



O site Rx Notícias continua em sua nova série especial de reportagens "Polícia privada na Bahia, o preço a se pagar". Nessa segunda reportagem iremos mostrar que a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP), está disponibilizando equipes das polícias civil e militar para fazer rondas nas madrugadas, com o intuito de proteger bancos privados das quadrilhas especializadas em dinamitar caixas eletrônicos.



Com o aumento das explosões de caixas eletrônicos pelas quadrilhas especializadas de roubo a bancos, a SSP está disponibilizando diversas equipes de policiais para realizarem rondas durante as madrugadas nas agências bancárias privadas. A desculpa seria combater roubos e na sua maioria feita com artefatos explosivos.



Ao invés de realizar um trabalho de inteligência e identificar os membros dessas quadrilhas para a SSP é mais fácil fazer o serviço de segurança privada. Ao mesmo tempo que equipes de policiais são deslocadas para esse tipo de serviço, toda a população fica a mercê da criminalidade.



Diante desse fato absurdo de clientelismo explica os números da violência na capital baiana conforme a 15ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, onde mostra que Salvador é capital da violência, no ano de 2020 foram 1.144 homicídios e até o início do segundo semestre de 2021 esses números já foram ultrapassados.


O presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Estado da Bahia (SINDPOC), Eustácio Lopes, criticou o remanejamento de quatro equipes da Polícia Civil, responsáveis por atividades de inteligência e investigação para realizar trabalho ostensivo em conjunto a quatro equipes da Polícia Militar (PM), "a função da polícia civil é investigar as ações criminosas dessas quadrilhas e não fazer o papel de segurança de empresa privada".



Ainda Eustácio, no momento em que tiram as equipes da Delegacia de Homicídios (DHPP), Delegacia de Furtos e Roubos (DRFR), Delegacia de Repressão e Combate ao Crime Organizado (DRACO) e do COI deixam de combater os homicídios, roubos, investigar essas quadrilhas e prender, "utilizarem as especializadas no trabalho de ronda é perda de tempo e energia, deixando de fazer o fator surpresa da investigação", concluiu.



A criação desses grupos que tem apenas a finalidade de proteger o bem privado de quem pode pagar não é nenhuma novidade na Bahia. A polícia civil e militar não estão fazendo rondas para proteger a população durante a madrugada, ela está apenas preservando os interesses dos empresários, que por sua vez, irão fazer suas doações em tempo de eleição por agradecimento da segurança feita pelos policiais, durante as madrugadas frias do ano.



Agora a sociedade entende porque ao solicitar uma equipe da polícia as vezes demora tanto chegar, caso precise sair de casa tarde da noite e não encontre uma guarnição da polícia na rua, provavelmente esteja protegendo o bem de quem pode pagar.


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