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SEDUR autoriza retirada dos trilhos da linha de trem e fios de cobre para vender em ferro-velho



O que já era esperado está acontecendo, a Secretaria de Desenvolvimento Urbano (SEDUR), autorizou a retirada dos trilhos e os fios de cobre da rede elétrica dos Trens do Subúrbio para serem vendidos no ferro-velho. O site Rx Notícias há um ano vêm realizando as denúncias do processo de sucateamento e destruição dos trens de Salvador para implantação do projeto do monotrilho.




As denúncias estão sendo publicadas através de uma série de reportagens "Trem do Subúrbio, qual o seu destino"?




Após a paralização definitiva dos trens do subúrbio, no dia 15 de fevereiro deste ano, com a desculpa que seria necessário para o início das obras do monotrilho. Mesmo antes da paralização dos trens, a SEDUR já sabia que o início das obras não seria possível, devido alguns trechos do projeto estarem localizados em locais com prédios tombados e terrenos com sítios arqueológicos, onde o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) não autorizou o início das construções do monotrilho.




Segundo um funcionário da Companhia de Transportes da Bahia (CTB) que não quis se identificar com medo de represália, a ordem veia da SEDUR para arrancar todos os trilhos o mais rápido possível, em especial que esteja no trecho da Calçada a Paripe, impedindo qualquer possibilidade de retorno do funcionamento dos trens.




Em 2014, após a CTB assumir administração dos Trens do Subúrbio efetuou a compra de 9 mil metros de trilhos novos e outros 9 mil dormentes (monoblocos de concreto), com durabilidade de 50 anos, que foram trocados ao longo do trecho Calçada x PARIPE, pela empresa IESA, executora das reformas de todo o Sistema de Trem do Subúrbio Ferroviário de Salvador.



A extensão de trilhos que estão sendo retirados e cortados para serem vendidos, corresponde a duas linhas de 13,8 km, incluindo outros 4km do pátio da Calçada somando 2 x 13,8 + 4 = 31,6 km de linha, um total de 63,6 km de trilhos ou 63.600 metros de trilhos TR 45.




Sabendo que o TR 45 novo custa cerca de R$3.500 reais a tonelada, no caso do trilho usado custa cerca de R$ 2.500 reais a tonelada. O que significa que custa R$2,50 o quilo.



É a mesma coisa que dizer que ele custa R$112,50 reais o metro. 2,50 x 45 kg = 112,50, valor total = 63.600 m x 112,50 = R$ 7.155.000,00, ou 2.862.000 kg x R$ 2,50/kg =

R$ 7.155.000,00 (sete milhões cento e cinquenta e cinco mil reais).



Em relação a Rede Aérea é uma mistura de cabos de cobre, postes, conexões e acessórios.



Extensão 2 X 13,8 km = 27,60 km de RAT. O total de 27.600 m de cabo de cobre de alta resistência e valor comercial. O valor estimado dos cabos de R$ 40,00/m. Estima-se que o valor pelo = 27.600 x R$ 40,00 = R$ 1.104.000,00 (um milhão cento e quatro mil reais). Com as vendas dos trilhos e os cabos o esquema vai lucrar mais de R$8 milhões.



Artigo 260 do Decreto Lei nº 2.848 de 07 de Dezembro de 1940 SEGUIR
Art. 260 - Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro:
I - destruindo, danificando ou desarranjando, total ou parcialmente, linha férrea, material rodante ou de tração, obra-de-arte ou instalação;
IV - praticando outro ato de que possa resultar desastre:
Pena - reclusão, de dois a cinco anos, e multa.

A venda dos trilhos e dos fios de cobre foi o jeito arranjado pela SEDUR para conseguir dinheiro para a continuação das obras do monotrilho. Estranhamente, justamente no momento onde a superintendência do IPHAN na Bahia questiona a SEDUR porque da insistência de querer a todo custo implantar o monotrilho elevado, já que para o início das obras, só será possível, depois do fim dos estudos arqueológicos que estão ainda no começo, além disso um pedido de tombamento da Estação da Calçada e toda a sua malha ferroviária até Paripe foi protocolada no IPHAN aguardando uma comissão ser formada para analise, o que até então não se tem prazo.




Uma fonte do IPHAN informou que membros do Instituto vêm sofrendo fortes pressões e assédio por parte de representantes do governo do estado para que as autorizações sejam concedidas. A prática contumaz de recrutar e assediar pessoas e funcionários públicos no estado da Bahia é de dimensão G.




A falta de transparência por parte do governo do estado, através da SEDUR e o consórcio Skyrail Bahia, em querer empalar a sociedade baiana com o projeto do monotrilho, ao invés de optar pelo VLT (TREM) e aumentar a sua malha ferroviária que resultaria em uma economia cinco vezes menor, além disso deixaria de causar danos incalculáveis para a população, a memória e a história da Bahia.




Mesmo com as diversas irregularidades encontradas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), Ministério Público Estadual e o próprio IPHAN, o governo do estado insiste em querer o projeto do monotrilho elevado mesmo sabendo que o valores das obras irão ultrapassar dos R$5 bilhões.




O absurdo desse projeto é saber que para ser concluído o monotrilho será em parte de plataforma elevatória de até 15 metros, em outros trechos torna-se terrestre, dessa forma o que justificaria o fim dos trens de Salvador, se não fosse apenar para elevar o custo da obra e prejudicar a população suburbana. Enquanto isso, outros irão lucrar com os altos custos do projeto que no mínimo ficarão prontas em 10 anos, como está acontecendo com o monotrilho de São Paulo planejado para Copa do Mundo no Brasil, que há 7 anos se arrasta sem data para sua conclusão.

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