• Redação

Tribunal do Crime tem sua própria lei enquanto o Estado omite sua autoridade



O Tribunal do Crime existe e sua lei é cumprida de forma integral, sem obstruções para tentar muda-la para favorecer os amigos. As leis desse tribunal paralelo age sem qualquer teoria dos filósofos gregos, muito menos tentam substituir as penas para abrandar quem quer que seja, quem a desrespeita paga o preço justo, porque não existe balança para aferir e sim uma espada afiada pronta para cortar as cabeças de quem as desobedecem.



As leis dos poderes constituídos pelo Estado não tem valor diante do Tribunal do Crime, como também o Estado não se opõem com as penas capitais cumpridas por esse tribunal alternativo que não tem tempo ou hora para despacharem suas sentenças.



Diariamente nas redes sociais são divulgadas as inúmeras execuções proferidas pelo tribunal do crime na Bahia, que não se preocupa em esconder as mais diferentes formas de punições aos seus membros ou opositores que ousaram em não obedecer as leis dessa corte mortal.



Homens, mulheres, jovens e até idosos tem sido vistos sendo punidos após terem infringido as leis de conduta desse tribunal, que nos últimos anos conseguiu impor mais respeito nos bairros do que a polícia, autoridade constituída pelo Estado. Quem poderia imaginar que os serviços públicos, sejam eles municipal ou estadual, para que possam ser realizados qualquer tipo de ação social nos bairros dominado por esses líderes de facções criminosas precisam primeiro de autorização para entrar.



Para ter acesso a essas comunidades dominadas por facções é preciso que políticos recrutem lideranças locais e paguem valores ou ofereçam cargos comissionados para eles serem verdadeiros porta-vozes dos bairros, desta forma as facções autorizam o acesso dos serviços públicos nas localidades, em contrapartida os políticos mantem suas reservas de votos garantidas para as próximas eleições.



Entre os casos envolvendo as sentenças do tribunal do crime em Salvador estão do jovem do bairro de Mussurunga que teve sua pena atenuada por uma surra com pedaço de madeira por três membros do tribunal. Na localidade conhecida como Timbalada, uma jovem também foi espancada e teve seus cabelos cortados por outro corpo do júri. No bairro de Paripe, um jovem depois de roubar uma farmácia foi pego por populares e entregue aos traficantes locais que sentenciaram a uma sessão de espancamentos. O mais absurdo é um apresentador de TV local ter dado risada e achado engraçado a situação ao mostrar o vídeo.



Embora o tribunal do crime continue realizando seus julgamentos interruptamente, no mês de abril, um julgamento sumário desse corte paralela chamou à atenção da sociedade baiana e brasileira, quando tio e sobrinho depois de tentarem roubar peças de carnes secas, na rede atacadista Atakarejo, no bairro do Nordeste de Amaralina, foram entregues pelos seguranças aos traficantes locais que sentenciaram a pena de tortura e depois a morte, pelo fato de terem furtado o comércio local, um desrespeito as leis do tribunal do crime que não admitem que roubos e assaltos aconteçam no comércio do bairro.



Casos semelhantes a esse do Atakarejo, não é nenhuma novidade para a polícia baiana, onde seguranças privados deixam nas mãos dos membros do tribunal do crime acusados de pequenos furtos no bairro para assumirem o papel de polícia, justiça e carrascos servindo como exemplo a outros desavisados que queiram roubar, furtar ou até cometer outros crimes no bairro como: estupros, agressões de mulheres ou crianças.



Segundo Eustácio Lopes, presidente do Sindicato dos Policiais Civis da Bahia (Sindpoc), a segurança pública no estado encontra-se a beira de um colapso, "as delegacias de todo estado estão caindo aos pedaços, falta de policiais nas unidades, não temos um protocolo de segurança contra o covid-19, já perdemos dezenas de colegas e nada foi feito para mudar".



"Vivemos momentos nunca antes visto na polícia civil da Bahia, a violência impera em todos os lugares, a polícia baiana foi sucateada, o resultado são centenas de homicídios semanalmente por esse tribunal do crime que acabam deixando de serem investigados e identificando a sua autoria por falta de policiais, concluiu Eustácio Lopes.



Para Roque Santos, presidente da Associação dos Cabos e Praças da Polícia Militar da Bahia (APPM), o número de policiais militares do estado é insuficiente para combater a violência crescente, "acreditamos que para atender de forma suficiente a todos 417 municípios da Bahia, deveríamos ter no mínimo de 60 a 70 mil policiais militares na ativa, sendo que não temos nem a metade trabalhando".



O que chama atenção nas imagens divulgadas nas redes sociais é o grande número de mulheres que são executadas por esse tribunal e estranhamente não se vê em nenhum momento, grupos feministas e do direitos humanos se manifestarem diante de tanta violência contra a mulher. Será então, só porque esse tribunal por estar punindo e executando seus membros e opositores que estão às margens da sociedade, merecem tais destinos?

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